“ O vento é o monótono suspiro da vida. Sem cor, cheiro, sabor nem forma. Tal e qual a uma gota de água que provem do céu nublado. O vento leva tudo com ele. Arrasta as folhas secas que o Outono arrancara às copas das árvores. Leva as poeiras, os papéis amarrotados. Talvez esses papéis sejam os antigos amores, que não eram amores. Que nem valia a pena serem declarados, porque não o eram. Amar só se ama uma vez na vida. Deixamo-nos levar, e como nunca nos ensinaram o que era o amor, a cada coisinha que sentíamos, dizíamos que era. Mas não, agora sim, eu sei o que ele é.
As feridas sararam, as cicatrizes que julgava infinitas também desapareceram da pele. Agora sou só eu e o vento. Os suspiros não só levam como trazem. As feridas não saram sozinhas. O vento trouxe com ele algo excêntrico que nunca sentira na pele. Esse algo, talvez um alguém, faz as palavras saírem-me espontaneamente tal e qual como se fosse a alma a pressionar as teclas do teclado. Agora suspiro eu, não a vida. O meu suspiro traz-te até mim, e és a melhor coisa que tenho comigo. És o que o vento me trouxe, e que a vida não vai levar. A noite é serena e só se escuta o sussurro da lua. Só se vê o espreguiçar das estrelas. O espreguiçar das estrelas... Tão doces e brilhantes como a tua íris, tão belas e vivas como as tuas expressões. O vento brando me acaba com o fôlego das noites sem ti. O som do abanar das folhas das árvores acolhem-me no meu canto como se me isolassem num espaço de um metro quadrado. Sufoco-me com a noite mística, com a tua ausência que me cobre os ponteiros dos relógios. Fico com um desejo maior que a lua, que continua cada vez mais bela exposta lá em cima. És como um amuleto com que durmo debaixo da almofada, mas tu... Não é preciso ter-te comigo para sonhar noite e dia contigo. Com o teu brando respirar e toque infinito. Ou talvez com o teu pestanear paralisante causando-me ansiedade de te beijar. Como a lava dum vulcão prestes a explodir, fazendo pressão para derreter por onde as correntes iriam passar. Eu também anseio por cair nos teus braços e ficar lá durante horas, minutos, dias... A ver a lua e as estrelas, a contar-te as linhas das tuas mãos ou o teu número de pestanas. Apetece-me fechar-te as pálpebras e beija-las, descendo por toda a tua face até chegar aos teus lábios rosados e macios. Perdendo-me lá e encontrando-me no reflexo que os teus olhos exibem. Assim como a lua se deita sobre a água dos lagos eu me queria deitar no teu colo, observando-te. Sentido tua pele a escorrer pelos meus cabelos e pela minha pele. Até que o sono mais profundo me levasse para ter a sorte de acordar contigo. De acordar com o toque dos teus lábios e sentir-te só meu. E mais uma lua viria, para me levar outra vez para ti, ou quem sabe, para te trazer até mim. Obrigada por me teres aberto o mundo, por me fazeres construir o amor, por me ensinares o que ele é, fica comigo. Porque eu? Lutarei por ti, todas as noites e dias. E digo-te:
- Eu fico contigo, vamos conseguir e meu amor, daqui até á lua? É sempre a subir. És o primeiro amor, o único amor, e o insubstituível. Eu amo-te com todas as letras, com toda a minha força, com todo o meu eu. “
Peço desculpa pela invasão, mas eu amo-te :’) /a tua menina *